http://bmwcklt.org/forum/

E o Milagre aconteceu .....
http://bmwcklt.org/forum/viewtopic.php?f=18&t=3552
Página 1 de 2

Autor:  Paula Kota [ quinta abr 23, 2009 7:52 pm ]
Assunto da Mensagem:  E o Milagre aconteceu .....

[color=darkred]Este fim-de-semana fiz um curso de condução em [/color]terreno difícil, enquadrado na preparação da Viagem. Todos os participantes estiveram presentes para treinar e também para nos conhecermos melhor. Aqui fica o relato.

Luta na lama

Após um pequeno percalço no sábado de manhã [size=84](coisas de gaja) só consegui sair de Lisboa pelas 8H da manhã. Já atrasada, lá fui a caminho de Ponte de Sôr para o curso de preparação e ainda mais me atrasei pois tinha uns pneus de taco, novinhos em folha, cheiinhos de goma, para fazer quase duas centenas de km debaixo de chuva. E como ela caía. Bom lá consegui chegar, com um road book feito na véspera, em post-it amarelos com as principais localidades e estradas em que teria de passar. Uma hora mais tarde que o previsto cheguei ao desvio para o Monte no Alentejo, estrada de cascalho que não acabava e nunca mais via o raio do ponto de chegada. Bom, mas cheguei e deparei com uma dezena de caras espantadas pois já não acreditavam que eu iria, com aquele temporal cinzento e frio.[/SIZE]

Estavam todos debaixo de um telheiro, numa aula teórica à espera que a chuva abrande. E lá fiquei a ouvir dicas sobre a posição em cima da moto, como posicionar as pernas, os braços, a diferença na altura do guiador, o quê e o porquê do equilíbrio e segurança. Aprendi a encontrar o ponto de equilíbrio da moto, e a segurá-la apenas com a patilha do tampão do depósito – sim meus caros, dancei à volta da moto só a prender a dita patilha [size=84](sem o descanso). Aprendi finalmente a por o descanso central sem fazer força nenhuma, aprendi a conhecer a dinâmica da moto.[/SIZE]

Depois … bem depois todas as motos foram ao chão [size=84](não sem antes um belíssimo pormenor requintado de aparecerem umas esponjas no chão para as motitas não se magoarem) e vai de levantá-las. Sabiam que há formas de levantar a moto para pessoas altas e pessoas baixas? Bom, eu levantei a minha do chão por três vezes, não forcei as costas, não tive dificuldade … fantástico. Fiquei convencida que era muito forte.[/SIZE]

Imagem

Mais truques, mais informação, mais experiências durante o resto da manhã, fase bem difícil pois ali ao lado estavam a preparar uma bela churrascada, cada vez mais cheirosa, mais tostadinha e aqueles tipos não paravam de dar instruções. Finalmente o responsável do Monte lá veio ralhar a dizer que já passava das duas e que o almoço estava pronto e que arrefecia e que estes malvados nem fome tinham.

Esperava-se que de tarde a chuva acalmasse, mas o raio do S. Pedro estava com vontade de gozar connosco. Ele e os instrutores que não tiveram pena nenhuma nossa e ainda disseram que assim era mais divertido. Enchouriçada com o fato, as protecções e o impermeável, lá fui atrás deles, os instrutores desertinhos por ir para a terra, os alunos expectantes do que iria acontecer.

E o milagre aconteceu. Para aperitivo, uma descida cheia de regos de água direitinha a um areal ensopado, passagem por uma estrada cheia de vacas, de lama, de poças de água gigantes, o Pantanal como lhe chamavam. E começou o curso prático. Nesta altura já o Azevinho tinha adivinhado que a Kota estava aterrada. Pacientemente deslocou-me do pelotão para não atrasar o Grupo e deu-me o raspanete … bem, não foi bem a ralhar... foi mais a dizer o que se ia passar. Quais as condições do caminho que íamos fazer, os obstáculos que vamos encontrar, como a moto se vai comportar e como nós devemos fazer para passar e como controlar a situação, a forma de aceleração, de travagem, de manusear a embraiagem. E a kota lá foi atrás dele, por aqueles maus caminhos, a praticar situações, a ultrapassar obstáculos. De vez em quando cruzávamos com o Grupo, liderado pelo Martins, que não parava de explicar as situações, de dar exercícios. O Homem parecia um palito eléctrico, para a frente e para trás, conseguia ver todos e controlar todos. E o Grupo dos 8 desgraçados lá ia, sempre de pé em cima da moto [size=84](nota importante à partida foi a proibição de sentar o rabito no assento). Discretamente, mais três exploradores acompanhavam o pelotão dos sempre-em-pé, a vigiar, a dar conselhos.[/SIZE]

E a chuva não parou nem os explorers pararam. Não estamos aqui para ver a paisagem, estamos cá para explorar os nossos limites, para conhecer as motos, para nos fundirmos com as máquinas, para traçar objectivos e chegar lá!


Imagem
E aprendi numa tarde o que iria demorar uns bons anos a saber. Ao fim de um par de horas já andava de pé em cima da moto, coisa estranha para mim mas que conclui ser mais fácil que andar sentada. Consegue-se vislumbrar melhor o caminho, o que está para lá das lombas e descidas, segurar melhor a moto e deixá-la dançar à vontade sem me levar por arrasto.

Como a coisa estava a correr bem e o Azevedo estava entusiasmado com o meu progresso passámos à fase seguinte.

- Tens problemas com as descidas, não é?
- Pois, tenho um bocadinho de vertigens ..
- Então vamos lá tratar disso.

Rumo a um areal onde tinham preparado uma pista de preparação, subimos à parte mais alta e …. Uma bela de uma rampa, toda em areia fofa e molhada, 45 graus de inclinação, explicação de como se faz e vamos por ali abaixo. E fui, e fui e fui até sentir que aquilo era um passeio pelas montras em época de saldos. Fácil e divertido.

Ah é fácil, então continuemos. Um pouco mais ao lado, outra rampa, maior e mais extensa e que acabava numa curva fechada. Desta vez a técnica era outra. Explicação da praxe e lá vai a desgraçada por ali abaixo a pensar que se ia espetar no meio das vacas. Mas não, acabei a fazer a curva e a dar a volta e a subir e a descer de novo, qual carrossel de feira. Nem eu queria acreditar. É fantástico como ouvir e entender a técnica ajuda tanto a chegar ao destino.

O meu instrutor não parava de ter ideias para eu treinar. Salvou-me aparecer a turma dos malabaristas, todos de pé e com os pés trocados nos estribos, a levantar o braço esquerdo [size=84](o da embraiagem), a trocar de novo as pernas para cada lado da moto, alinhadinhos uns atrás dos outros qual manada de bebes elefante a seguir as instruções à risca. Ficamos por ali a vê-los atolarem-se na areia, a sair de lá em cima da moto, com a moto à mão, eu sei lá o que eles fizeram. Parece que estava no circo. Aquilo já era demais para mim, que não tenho experiência nenhuma em off road. A única coisa em comum era o entusiasmo que se estampava na cara de cada um e também na minha.[/SIZE]

Imagem

30 segundos de pausa e vamos lá continuar que isto não é para passear. Lá seguimos todos, de pé claro, para mais uma voltinha à pista, a única transitável no meio daquela chuva permanente que já tinha ensopado ainda mais o Pantanal, ou melhor, dois rios de água paralelos que diziam ser um caminho.

Ao por do sol [size=84](esta expressão é apenas para enquadrar no tempo pois sol nem vê-lo) comuniquei ao meu caríssimo instrutor que estava nas lonas. Não dava mais. Doía-me o corpo todo, estava ensopada e as forças já tinham sido gastas até ao limite. Prontos vamos lá então para a estalagem, não sem antes passarmos por mais umas vielas e becos de natureza mas desta vez já com a ideia de uma banheira e uma camita para descansar.[/SIZE]

Nota: Infelizmente, com aquela chuva toda, não foi possível tirar fotos para atestar as minhas vitórias

Eu tive folga mas os bravos não. Ainda foram dar uma voltinha, para abrir o apetite, por montes e vales, atravessaram o rio [size=84](parece que a água dava pelo meio do motor) e ainda subiram uma rampinha de quase 90 graus, só para aconchegar a adrenalina. Chegaram exaustos, contentes e cobertos de lama até às orelhas.[/SIZE]

Imagem

À noite, depois de jantar, um briefing sobre os malabarismos do dia e uma pequena perspectiva do martírio do dia seguinte. Ainda bem que eu estava completamente ensonada e não ouvi uma boa parte do programa de Domingo. Senão acho que tinha voltado para casa, mesmo a meio da noite.

....

Autor:  Paula Kota [ quinta abr 23, 2009 7:54 pm ]
Assunto da Mensagem: 

O dia seguinte


Um sol radioso entrou pela janela. Convidava para ir para a piscina, para molengar nas esteiras penduradas no alpendre ou para pastar nas cadeiras do terraço. Mas não, a inquisição estava à espera para mais uma sessão de treinos para quasi-veteranos de guerras de pó e pedras.

Nunca vi pessoas tão motivadas e arrebatadas por partilhar os prazeres da descoberta de novos rumos em pistas impossíveis. Reunião de bravos e aí vão eles. Durante a noite a terra tinha secado um pouco o que tornava os caminhos mais transitáveis [size=84](se é que se podem designar assim mas não me ocorre outro termo) o que nos poupou ao banho de lama do dia anterior. [/SIZE]

Pelotão reunido e vai verdasca [size=84](termo utilizado pelos praticantes deste desporto radical e que para mim significa tortura muscular e alta probabilidade de partir os acessórios da moto). Logo para aperitivo tínhamos de passar para o outro lado do rio, um rio com água que dava pelo motor, com uma laje de pedra no meio do rio e areia na margem de lá. Um horror![/SIZE]

Imagem


Imagem


Por uma pista ainda mais difícil que a do dia anterior, andámos umas dezenas de km por montes e vales, por caminhos rurais que nem caminhos se podem chamar. Eu só via subidas e descidas e a concentração era tentar descortinar um bocadinho de piso por onde passar. Era mato e pinheiros, eucaliptos e regos, pedras e camas de folhas e troncos. Finalmente chegámos a uns centímetros de terreno mais direito e passámos a manhã a fazer um sem número de exercícios.

Meia dúzia de pins encostadinhos uns aos outros e vamos lá zig-zagear por entre eles, dar a volta ao monte [size=84](sim porque até onde o diabo perdeu as botas há regras de trânsito e sentidos obrigatórios) e mais voltinhas aos pins e depois rodar entre eles, num sentido e no outro, só que o último já estava empoleirado na descida e a voltinha implicava um equilíbrio quase impossível. Assim, aprende-se a controlar a moto, a distribuir os pesos e, principalmente, percebemos que há situações em que por mais que se rode o guiador, não há forma de virar. Só mesmo com a técnica da distribuição das forças e do equilíbrio.[/SIZE]

Imagem


Como o pessoal já se estava a habituar a terreno duro, vamos lá diversificar o tour e rumar a um areal extenso e bem fofinho para derrapar pelas subidas, atolar a moto na areia, treinar recuperação nas subidas e ainda virar a moto no meio da ravina. Já parecia um croquete de areia, suada e cansada, mas motivada pois nunca pensei conseguir fazer tal proeza.

Imagem

Imagem


Partimos para mais uma descoberta de uns milímetros de terreno mais direitinho e eis que parámos numa auto-estrada [size=84](naquela altura qualquer estradão mais decente me parecia uma pista de aeroporto) … mas não, era apenas o instrutor-mor a consultar no GPS o trilho seguinte. Pronto, lá fui eu atrás da turma dos garotos saltitantes sempre-em-pé para mais uns exercícios de treino de travagens, travão da frente até quase bloquear, travão de trás até quase cair, travões a fundo a ver quem conseguia travar no mais curto espaço (pudera, logo à frente havia três eucaliptos ameaçadores a prometer umas férias compulsivas). [/SIZE]

Imagem


Só quando os estômagos estavam a sair pelas costas é que lá se lembraram que eram horas de almoço, isto já perto das três da tarde. Mas para sair dali tínhamos de enfrentar de novo a pistazita marota e atravessar de novo o rio. Cheguei ao Monte convicta de que para mim, o treino estava acabado. O treino e eu que já não sentia os músculos, já não sentia que tinha estômago e já nem sentia que estava viva.

Arrastei-me até à mesa do almoço e chamei as últimas forças para conseguir manusear os talheres, missão quase impossível não fosse o cheirinho apetitoso do bacalhau com natas. Quando dou por mim, estavam todos de pé a prepararem-se para mais uns exercícios, faltava ainda ensinar uns pormenores. Mas o meu grande pormenor foi enfiar a tralha na top-case [size=84](difícil pois tinha de lá caber o fato de chuva e o espaço era curto). Despedi-me dos bravos e parti rumo a casa.[/SIZE]

Não me lembro bem da viagem de regresso mas pareceu-me curta, lembro-me vir na estrada a 120 km/h com pneus de taco [size=84](afinal não sinto grande diferença para os pneus de estrada), lembro-me que as curvas são mais fáceis, até me pus de pé na moto para espreitar por cima dumas lombas de estrada. Tudo isto de forma natural, sem esforço. [/SIZE]

Imagem

Nota da redacção: Como não levei máquina fotográfica, andei a "fanar" fotos já colocadas aqui no fórum. Para os que vão ao curso, não se esqueçam da máquina pois as "proezas" são para se gravar e recordar.

Autor:  Antonio José Costa [ quinta abr 23, 2009 8:04 pm ]
Assunto da Mensagem: 

:lol: :lol: :lol: :lol: :lingua:

Autor:  Edgar Calado [ quinta abr 23, 2009 8:29 pm ]
Assunto da Mensagem: 

Nem mais Paulinha, excelente :bigsmile: !!!

Abreijos :fixe: !

Autor:  Alby [ quinta abr 23, 2009 10:10 pm ]
Assunto da Mensagem: 

Paulinha, és uma verdadeira heroína.

Orgulho da Comunidade KLT.

Tomara muitos homens!

Beijinhos.

Autor:  RICARDO MATIAS [ quinta abr 23, 2009 10:38 pm ]
Assunto da Mensagem: 

Bravo Paula, excelente :bigsmile: :bigsmile: :bigsmile:

Autor:  Antonio José Costa [ quinta abr 23, 2009 10:41 pm ]
Assunto da Mensagem: 

Alby Escreveu:
Paulinha, és uma verdadeira heroína.

Orgulho da Comunidade KLT.

Tomara muitos homens!

Beijinhos.



Tomara muitos homens? o que é que tu queres dizer com isso? meu grande malandro!!!:lol:

Autor:  Joao Krull [ quinta abr 23, 2009 11:02 pm ]
Assunto da Mensagem: 

Paula Paula Paula!


Que grande Paula!

Não páras de nos surpreender em feitos e palavras

Maravilhosa...

JoKas

Autor:  PIRATINHA [ sexta abr 24, 2009 12:36 am ]
Assunto da Mensagem: 

PARABENS PRINCESA!!!

Estava a pensar em fazer o curso mas acho que vou desistir... ainda vou fazer má figura:embaraço: :lingua: :lol:

Beijo PIRATA:fixe:

Autor:  LRocha [ sexta abr 24, 2009 10:13 am ]
Assunto da Mensagem: 

Grande descrição, sim Senhora!
Quanto à coragem, por vezes ela aparece sabe-se lá de onde!

Autor:  Carlos Azevedo [ sexta abr 24, 2009 3:05 pm ]
Assunto da Mensagem: 

A "coragem" já está em cada um, é só utiliza-la:bigsmile: o maior feito da Paula neste fim de semana foi deixar de dizer "eu isso não faço!" para começar a dizer "Vou tentar..."

Autor:  VINICIO DUARTE [ sexta abr 24, 2009 9:34 pm ]
Assunto da Mensagem: 

Muito bem Paula, que coragem.

Autor:  Paulo Oliveira [ sexta abr 24, 2009 9:58 pm ]
Assunto da Mensagem: 

A Paulinha no seu Melhor.

Paula Parabéns por mais esta vitória.

Autor:  toze73 [ sexta abr 24, 2009 10:12 pm ]
Assunto da Mensagem: 

Muito bem Paula,fiquei com mais umas ideias concretas do curso vamos lá ver como vai correr

Autor:  Lisinha [ sábado abr 25, 2009 6:12 pm ]
Assunto da Mensagem: 

Liiiindo Paula!! Foi um deleite ler as tuas palavras. Já senti tudo isso na pele e sei bem o quanto é dificil controlar as sacudidelas de um peso monstro de duas rodas que teima em nos subjugar a ela. É uma luta contínua... e tu venceste! Parabéns companheira! :bigsmile:

Página 1 de 2 Os Horários são TMG [ DST ]
Powered by phpBB® Forum Software © phpBB Group
https://www.phpbb.com/